Em nosso webinar mais recente, o Dr. Karl Kapp abordou um dos hábitos mais comuns no ensino e treinamento: perguntar "alguma pergunta?" e não receber resposta. Aqui está o que aprendemos.
Se você já perguntou a uma sala "alguma pergunta?" e não ouviu resposta, sabe bem como é essa sensação. Foi exatamente por isso que organizamos esta sessão.
O Dr. Karl Kapp, professor de Tecnologia Educacional na Commonwealth University of Pennsylvania, conduziu a sessão com participantes de todo o mundo. Ele abordou os motivos pelos quais alunos e estagiários permanecem em silêncio e três maneiras práticas de substituir a pergunta "Alguma pergunta?" por algo que estimule a reflexão.
Conheça o palestrante
Karl traz consigo mais de duas décadas de experiência em design instrucional e gamificação. Ele é autor de diversos livros, incluindo "The Gamification of Learning and Instruction" (A Gamificação da Aprendizagem e da Instrução), é membro da Guilda de Aprendizagem (The Learning Guild) e recebeu o prêmio de Contribuição Distinta para o Desenvolvimento de Talentos da ATD.
A sessão praticou o que pregou: Karl conduziu enquetes ao vivo, um quiz, uma atividade com pins e um brainstorming aberto durante toda a sessão.
O som do silêncio
Karl começou com uma enquete ao vivo sobre a frequência com que os colegas perguntam aos alunos "alguma pergunta?", e em seguida dividiu os tipos de perguntas em três categorias:
- Fechada – uma resposta simples de sim ou não.
- Pergunta aberta – “Que perguntas você tem?”
- Questões de reflexão – que exigem análise, avaliação ou previsão.
A partir daí, Karl investigou por que os alunos realmente permanecem em silêncio: a formulação da pergunta em si, a sobrecarga cognitiva causada pelo excesso de informações de uma só vez, a necessidade de tempo para processar, o medo de parecer desinformado diante dos colegas, uma simples falta de confiança e, muitas vezes, o fato de ainda não saberem o suficiente para perguntar.

Os participantes fixam suas respostas no slide que mostra os motivos pelos quais os alunos não fazem perguntas.
Ele foi direto sobre um conselho comum: "Há um ditado que diz: não faça perguntas para as quais você não sabe a resposta... Acho esse ditado péssimo." Do ponto de vista dele, é a curiosidade, e não a certeza, que impulsiona o aprendizado.
Estratégia 1: narrativa interativa
Em vez de apresentar um conceito diretamente, Karl constrói um cenário e insere o aluno nele. Ele demonstrou isso ao vivo com "Dragonmon Go", um cenário de design de jogos onde os participantes tinham que escolher entre duas abordagens de integração para os jogadores. A estrutura é a seguinte:
- Apresente um cenário
- Faça uma pausa em um ponto de decisão.
- Peça aos alunos que escolham
- Revele o resultado
- Discuta o porquê
A técnica força um comprometimento. Como Karl explicou, uma vez que alguém escolhe uma resposta, “se errar, haverá alguma dissonância cognitiva. Se acertar, haverá reforço”. De qualquer forma, o aluno está empenhado em descobrir o porquê.
Estratégia 2: sondagens para obter ideias
A segunda estratégia de Karl reformulou o propósito de uma pesquisa. No início de sua carreira, ele disse, o principal argumento de venda dos softwares de pesquisa era o rastreamento de presença, "mas esse era o elemento menos atraente" para ele. O que importava, na verdade, era fazer com que as pessoas interagissem e pensassem imediatamente.
Quatro tipos de pesquisa que ele recomenda:
- Previsão – o que acontece a seguir
- Decisão – qual opção você escolheria?
- Confiança – quão seguro você está da sua resposta?
- Aplicação – onde isso se encaixa no seu próprio trabalho?
O ponto em comum, como ele mesmo disse, é que "nem todas as pesquisas são iguais", uma pesquisa que apenas verifica a compreensão é muito menos eficaz do que uma que pede à pessoa que se comprometa com uma posição e a defenda.

Resultados ao vivo da enquete sobre os motivos mais importantes para fazer perguntas de previsão, decisão e confiança.
O debriefing é tão importante quanto a própria pesquisa. As perguntas de acompanhamento preferidas de Karl são:
- Por que você escolheu essa resposta?
- Que evidências sustentam sua escolha?
Estratégia 3: brainstorming e geração de ideias
Para gerar ideias, Karl apontou três técnicas:
- Pense, compartilhe e discuta
- notas adesivas digitais ou físicas
- Ideias que explodem em um minuto, sem autocensura.
Os três métodos incentivam a participação dos alunos, em vez de apenas os fazerem consumir uma aula expositiva.
Ele também fez um alerta sobre a IA, citando seu próprio artigo sobre o assunto: a IA está eliminando o "atrito" de pensar cuidadosamente. Seu conselho não era evitar a IA, mas sim sequenciá-la deliberadamente, fazer um brainstorming primeiro e depois usar a IA para obter uma perspectiva diferente, em vez de deixar que ela pule completamente a etapa de reflexão.
Estratégias-chave, na prática
Se você quiser experimentar substituir a pergunta “Alguma pergunta?” na sua próxima sessão, as três sugestões prontas para uso do Karl são um bom ponto de partida:
- Que ideia você poderia implementar amanhã?
- Que parte desse conceito lhe parece mais útil?
- Explique isso com suas próprias palavras para a pessoa ao seu lado.
Cada um pede algo específico e sem grandes consequências, em vez de um convite aberto com o qual ninguém sabe o que fazer.
O takeaway
Karl encerrou com um desafio, e é uma nota apropriada para finalizar este resumo também: “comece pequeno... escolha um ou dois elementos nos quais você sempre se pergunta se há alguma dúvida e simplesmente aplique uma dessas técnicas.”
Não se trata de uma reformulação completa de como você ensina ou treina, apenas de trocar um hábito por algo que realmente gere resposta.

Nuvem de palavras com as respostas dos participantes
Assista à gravação completa para ver as demonstrações ao vivo de Karl, perguntas e respostas com o público e mais exemplos de sua própria sala de aula.






